No final de 2022 participamos de uma visita técnica e única do ano, ao antigo necrotério de Curitiba. Percorremos por várias salas onde eram realizadas as necropsias. Os ambientes eram divididos, o corpo com morte recente era encaminhado para uma sala junto com outros corpos para avaliação e identificação, já os corpos em estágio de putrefação iam para uma sala isolada por conta do mau cheiro e pela situação deplorável, imagina que um corpo começa a entrar em decomposição, entre 12 a 24 horas após a morte.
Quais são os tipos de mortes que vão para o IML?
Somente em ocorrências que envolvam óbitos por causa externa (ou não-natural). São aqueles que decorrrem por violência como homicídio, suicídio, acidentes em vias-públicas ou em outros locais, mortes suspeitas, ou sem assistência médica, doenças raras, inexplicáveis ocorrem a necropsia.
Você sabia que os corpos que dão entrada no IML passam por Raio-X?
Sim, visitamos a sala onde passavam os corpos para serem avaliados por Raios-X. O nome técnico é radiologia forense que é um segmento da radiologia ligado a área criminal que utiliza métodos científicos para solucionar crimes. Nestes equipamentos eram identificados por meio do corpo: fraturas, balas de armas de fogo, armas brancas como facas, canivetes, agulhas. O exame odontológico para identificar a arcada dentária é muito comum por exemplo. Então, pode-se concluir que a identificação humana é extremamente importante, não só na esfera legal como também na social e a radiologia contribui com precisão, na identificação de uma pessoa.
Necropsia
O corpo então era higienizado com água e sabão. A parte externa do corpo analisada, para identificar ferimentos por balas ou outras lesões. As cavidades do abdômen, do tórax e do crânio eram abertas para que o exame interno fosse realizado. Todos os órgãos danificados eram analisados neste ambiente. Neste IML funcionou 69 câmeras frias e 5 mesas.
Os corpos que não eram identificados durante três meses, eram removidos do IML, mas antes retiravam amostras de DNA, da arcada dentária e de impressões digitais e na sequência encaminhadas para Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) caso a família procurasse tempos depois.
Este IML foi desativado em 2018, atualmente o complexo do necrotério foi transferido para um prédio novo, no bairro Tarumã. Hoje, faz parte do Museu Paranaense de Ciências Forenses porque permaneceu com os objetos que eram utilizados anteriormente no trabalho dos peritos que atuavam neste local.
O antigo necrotério fica localizado na Av. Visconde de Guarapuava, 2652, no centro de Curitiba mesmo local da Unidade Centro da Polícia Científica.
Redação Portal Vaticano/ Jornalista – Alethea Corrêa